domingo, 1 de maio de 2011

É o outro que eu te encontrei.

Tudo estava em silêncio.
Debaixo da bancada desordenada, na estante de instrumentos, entre os vasos esparsos, ela fuçou. Nada ali.
Enfim, a madrugada arregaçou suas anáguas e ela, cansada, tentou afogar sua frustração no pub sonolento. Sua última esperança, derradeiro refúgio.
A noite tinha sido agitada e ainda ecoavam distantes risos, cantos e confissões públicas, compartilhadas, solidárias. Os bêbados de sempre. Em busca, como ela.
Entrou no depósito desordenado - sem querer -. Barris emborcados, babas salivadas... Encontrou a saída. O relento ora doce ora azedo das fermentações.
Foi até o balcão do bar novamente. Afogou-se numa caneca de cerveja escura, para esquecer a busca, a saudade sonhada e o disfarce de liberdade.
Voltando a andar, se depara com sua casa favorita. Na verdade, um sobrado de paredes amarelas, janelas e portas azuis.
Aquele sobrado permanecia cheio de gritos e roncos sinfônicos, ela nomeava assim, mas sabia que eram gemidos. De qualquer forma, era decorado com muito esmero, tapetes, troféus, bibelôs por toda parte. Os donos dele, às vezes, recitavam uns para os outros juras de amor, vingança, conquista, opressão e morte.
Mas ela, continuara sua busca. Agora, no presente.

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