quarta-feira, 13 de junho de 2012

Mais uma dose por favor ?!

Boca aberta, olhos fechado. A expressão era de dor, mas havia o prazer de ter tudo o que queria. Sabia que estar ali sentenciava o que antes não cabia em métricas ou rimas. Um sorriso salgado era tudo o que tinha e escondia. Pelo caminho relógios e anéis, na cama uma vez aqueles pés que tão de longe se tornaram importante. Como quem tropeça em si mesmo, hoje é a cicatriz do que foi flor, hoje é plástico mas o cheiro da morte surge doce como quando enterrou sua avó. Traz consigo o cinza da tampa da tumba preciosa e o amarelo das rosas que aos poucos se confundiam com a terra marrom lentamente jogada sobre o dourado do caixão. Aos seus pés só restou a cera da vela comida pela chama. A boca continua aberta pela sede do vento que lhe falta, o ar parecia uma gigante pedra de gelo. Que difícil era respirar e sentir.

1 comentários:

Por que você faz poema? disse...

Boca aberta,
olhos fechados,
sorriso salgado,
doce apenas o cheiro da morte.

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